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Tratamento do crack: um dos mais complexos


Autora: Cleuza Canan

Tratamento do crack: um dos mais complexos

O tratamento do crack exige muito mais do que o tratamento de recuperação de dependentes de outras drogas, em razão dos prejuízos que causa.

O crack é uma das drogas mais prejudiciais da atualidade. Sua fabricação é a partir da mistura da pasta base de cocaína, refinada com bicarbonato de sódio e água.

A mistura é falsificada com o acréscimo de cal, cimento, querosene e acetona para aumentar o volume, o que a torna ainda pior, exigindo que o tratamento do crack seja mais complexo do que o tratamento de outras dependências.

Quando aquecido, o crack faz a separação das substâncias líquidas das substâncias sólidas e, nesse caso, as líquidas são descartadas, enquanto que as sólidas são convertidas nas pedras que são vendidas para serem fumadas e absorvidas através de um cachimbo, fazendo com que o usuário possa ingerir todas as substâncias presentes na mistura.

Como se trata de droga inalada, o tempo de ação e o poder de causar dependência são muito mais rápido, e é isso exatamente o que torna o crack uma das drogas mais poderosas da atualidade.

Um usuário de crack leva apenas 10 segundos para sentir os efeitos, demonstrando euforia e excitação, com os batimentos cardíacos acelerados e respiração mais rápida e curta. Contudo, os efeitos do crack também são bastante rápidos, deixando o usuário depressivo, sentindo delírios e a fissura por uma nova dose.

O crack chega a ser até sete vezes mais potente do que a cocaína, sendo, portanto, mais prejudicial do que a droga que lhe deu origem. Ela apresenta um poder assustador para desestruturar uma pessoa, agindo em prazo bastante curto e criando uma dependência psicológica das mais graves, o que vai exigir que o tratamento do crack também seja mais severo.

Quando o usuário utiliza pela primeira vez o crack, sente algo como se fosse um estalo no cérebro, ou um “tuim”, como se diz na linguagem dos usuários. No entanto, esse “tuim” já não acontece na segunda vez. Os neurônios começam a ser lesionados e o coração entra em descompasso, batendo a até 240 vezes por minuto, levando o usuário ao risco de hemorragia cerebral, de alucinações e delírios, de fissura, de convulsões e infarto agudo e, em alguns casos, até à morte.

Problemas físicos provocados pelo crack

Com o uso do crack, o usuário começa a ter desfragmentação dos pulmões e consequentes problemas respiratórios, como congestão nasal, tosse persistente e expectoração de um muco negro.

Além disso, também passa a apresentar dores de cabeça, desmaios e tonturas e, em razão da falta de apetite, começa a emagrecer, mostrar-se pálido e sentir nervosismo.

O dependente da droga, quando precisa passar pelo tratamento do crack , vai apresentar também taquicardia, aumento da pressão arterial e intensa transpiração.

Passa a não cuidar mais da própria aparência e higiene e normalmente traz queimaduras nos lábios, no rosto e na língua, por causa da proximidade da chama do isqueiro quando acende a pedra.

Na mulher, o crack provoca abortos e nascimentos prematuros e o bebê, quando sobrevive, terá um cérebro de tamanho menor e chora de dor quando é tocado ou quando exposto à luminosidade. No seu desenvolvimento, vai demorar mais para fazer as coisas mais simples, como andar e falar, tendo maior dificuldade também no aprendizado.

Uma pessoa normal tem os impulsos nervosos convertidos em neurotransmissores, como a dopamina, por exemplo, que são liberados nos espaços entre as sinapses. Os neurotransmissores são recapturados quando a informação é transmitida. Em usuários de crack o mecanismo se encontra alterado.

O crack bloqueia o processo de re-captação dos neurotransmissores, deixando uma concentração acima da média de dopamina no cérebro, situação que vai estimular ao extremo os receptores, gerando a sensação de euforia provocada pela substância. Contudo, essa euforia dura menos do que o usuário deseja, já que os receptores se ajustam às necessidades do sistema nervoso central, reduzindo sua emissão. Assim, as sinapses também se tornam mais lentas, e isso vai comprometer todas as atividadescerebrais, provocando problemas físicos.

Como é feito o tratamento do crack

O tratamento do crack é bastante complexo, precisando de assistência multidisciplinar capacitada, inclusive com apoio da família e sob orientação médica, além da necessária força de vontade por parte do dependente. Mesmo assim, embora seja bastante difícil, o usuário pode se livrar da droga e se recuperar.

O tratamento do crack pode exigir internação compulsória ou involuntária, atendimento médico e psiquiátrico, tratamento ambulatorial e conscientização do usuário.

Tudo, no entanto, vai depender do diagnóstico médico e da avaliação por parte de um psiquiatra, que poderá diagnosticar o nível de gravidade da dependência, quais são os sintomas de abstinência e se o usuário é portador de doenças psíquicas ou clínicas.

Nesse caso, nem sempre se pode contar com a boa vontade do dependente para levá-lo ao tratamento do crack . Em primeiro lugar é necessária uma abordagem médica, em um ambiente que seja familiar ao paciente, onde ele possa se sentir protegido.

Em certos casos, pode ser necessária a internação compulsória, mas sempre é preciso fazer uma avaliação individualizada, além do que, na internação compulsória para o tratamento do crack é preciso solicitar autorização judicial.

Antes de ser encaminhado para o tratamento do crack , no entanto, o dependente  deve passar por uma avaliação médica para diagnosticar possíveis doenças, como a AIDAS ou outras doenças contagiosas e sexualmente transmissíveis, além de tuberculose e pneumonia.

Caso ele seja portador, o tratamento vai exigir cuidados ainda maiores, devendo ser acompanhado a maior parte do tempo para não apresentar uma crise de abstinência mais severa.
Para alguns dependentes pode ser necessária uma medicação adequada para livrá-lo da síndrome da dependência, ao mesmo tempo em que se aplicam as terapias necessárias para mantê-lo com saúde e com a mente livre do crack.

É importante lembrar que, durante o tratamento do crack ou mesmo após a recuperação do dependente, a recaída é um fato comum. Por isso, é necessário fazer um acompanhamento constante, mesmo depois de sua liberação de uma clínica de recuperação.

Existem medicamentos que podem manter o controle dos sintomas de abstinência, mas esses medicamentos devem ser administrados de forma controlada, principalmente para que o usuário não troque uma dependência por outra. O que é preciso fazer é que o usuário possa manter a mente livre dos efeitos, muitas vezes suportando a crise de abstinência.


O tratamento do crack pode levar muito tempo e exigir muitos cuidados. O paciente deve ser conduzido de forma a entender que pode escapar do submundo das drogas e tornar-se novamente uma pessoa normal, participante e integrante de uma sociedade que o respeita e que quer ver o seu bem.