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PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE ÁLCOOL E DROGAS NAS EMPRESAS


PROGRAMAS DE PREVENÇÃO DE ÁLCOOL E DROGAS COM 
QUALIDADE DE VIDA NO AMBIENTE DE TRABALHO

Prevenção ao uso perigoso das drogas é uma intervenção cujo objetivo é evitar o estabelecimento de uma relação destrutiva de um indivíduo com uma droga, levando-se em consideração as circunstâncias em que ocorre o uso, com que finalidade e qual o tipo de relação que o sujeito mantém com a substância, seja ela lícita ou ilícita.

CONSISTE EM:

Prevenção – diagnóstico – necessidade – planejamento – ações – sensibilização – capacitação – acompanhamento – avaliação e tratamento.

PROGRAMAS NAS EMPRESAS

OBJETIVOS:

Desestimular o consumo de álcool e/ou drogas;

Estimular a procura espontânea de ajuda;

Identificar o usuário e oferecer tratamento e recuperação;

Favorecer a recuperação da saúde integral dos colaboradores.

Demonstrar através de atitudes, o apoio e a valorização dos colaboradores;

Aumento de motivação do colaborador;

Redução de custos com internações e doenças decorrentes da dependência;

Redução do índice de absenteísmo e de rotatividade;

Redução de atrasos, faltas e demissões de colaboradores;

Redução do índice de acidentes de trabalho;

Melhoria de produtividade;

Melhoria da qualidade;

Melhoria do ambiente de trabalho;

Melhorar os conceitos/imagem da empresa;

Minimizar riscos de processos judiciais por acidentes provocados devido á Dependência Química.

A GRAVIDADE DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA NAS EMPRESAS

A GRAVIDADE DO PROBLEMA

O dependente químico quer seja de álcool ou qualquer outro tipo de droga, paga um custo emocional muito grande pela sua doença, bem como a sua família.

Devido à ignorância social e cultural sobre a doença, muitos nomeiam o dependente com adjetivos pejorativos e discriminantes, como: bêbado, viciado, maconheiro, louco, drogado, entre outros. 
Isto os prejudica muito, porque na realidade são pessoas doentes e que precisam de ajuda.
Há relatos de dependentes que embora não querendo, precisam beber ou usar qualquer tipo de droga, ou juram e prometem não mais usá-la, porém a compulsão é tão violenta que não podem controlar-se, seguindo de culpa e sentimento de vergonha.

A família cobra muitas vezes de forma incoerente e errônea o seu comportamento, mesmo porque eles não sabem lidar com o problema, pois de nada adianta falar quando a pessoa está sob efeito de alguma droga, o que só tende a complicar mais o caso.

O DESCONHECIMENTO DO PROBLEMA

É normal que grande parte dos empregadores desconheça realmente o problema, pois esta não é a sua área de conhecimento.

Algumas empresas de grande porte têm assistência médica e social aos seus empregados, outras preferem terceirizar este trabalho e, de maneira geral, as de médio ou pequeno porte não se preocupam com a dependência química.  Embora se atenham a outros problemas com seus empregados, como por exemplo: “a qualidade de vida”, exames periódicos, cesta básica, auxílio escolar, vales transporte, entre outros, obviamente tudo isto é muito válido, mas muitas vezes, apesar de toda esta assistência ficam despercebido os casos de dependência do álcool e outras drogas.
Num organograma de uma meiga empresa, por exemplo, tem-se a ideia de um quadro funcional perfeito até a portaria, que é o setor muito importante, pois é à entrada da empresa. 

Será que ali existe o problema?

Provavelmente sim. E isto está sendo observado? A alta direção e a chefia podem pensar que sim, mas tratando-se de dependência química o uso de alguma droga por funcionário pode passar despercebido, como, por exemplo, o alcoólatra que não beba em serviço não deixa de estar intoxicado prejudicando seus reflexos, senso crítico e percepções, o mesmo acontecendo como dependentes de outras drogas, o que poderá trazer sérios problemas para a empresa: alguma carga num veículo passar sem ser anotada; má pesagem em balanças; na construção civil, aquele funcionário que não misturou bem a massa para o concreto que vai segurar grandes estruturas; na empresa de transporte coletivo, o motorista que não consegue começar o seu dia de trabalho sem antes ter que beber para sentir-se “normal” e levando vidas humanas sob sua responsabilidade.

Pode-se citar, também, aquele executivo que não fecha negócios para sua empresa sem antes cheirar cocaína ou usar algum tipo de droga estimulante, e ainda pilotos de Companhias Aéreas que não decolam seus aviões sem antes beberem para relaxar.

A dependência química está em todos os segmentos sociais e profissionais, mas o empresário tem pouco conhecimento, até por desconhecer o problema, e o risco que a sua empresa está correndo em todos os aspectos: processos trabalhistas, indenizatórios, entre outros, além dos já normais que norteiam uma empresa.

A NEGAÇÃO DO EMPREGADOR

É comum empregadores negarem que seus funcionários fazem uso de álcool ou outras drogas em sua empresa, e é por medo de comprometer a imagem da mesma.  Como se fossem pais negando o uso de drogas pelos filhos, motivados pela vergonha e preconceito.

Erroneamente, eles acreditam que estão protegendo a sua companhia, porém o aumento das despesas é visível, se forem contabilizados: danos em equipamentos; acidentes; afastamentos por doenças causadas pela dependência; atrasos, entre outros problemas.

Muitas vezes a negação vem em forma de instinto protetor pelo empregador, a exemplo das conotações.

Que vêm a seguir:

a) O funcionário dependente sente-se derrotado pela morte de um de seus familiares;

b) Está com muitos problemas na família;

c) Os filhos são problemáticos;

d) Está passando por séria crise financeira.

O empregador comete um grande equívoco ao ficar conivente com a dependência do empregado, quando um dependente químico usa os tipos de negações observados acima, pois alguns dos sintomas da dependência química entre vários são: a manipulação; se fizer de vítima; omissões, entre outros que fazem parte da doença com justificativa para beber.

Quando a empresa não tem um programa de prevenção, pessoa técnica para entender esta dinâmica do doente certamente não estará ajudando e sim o afundando cada vez mais nas drogas; pois filhos problemáticos, casamentos desfeitos, problemas financeiros (por excesso de retiradas de vales) são muito próprios do dependente do álcool ou de outras drogas.

Outro motivo que faz com que o empregador não veja ou não queira ver o problema se dá pela própria característica da personalidade do dependente, ele é aquele funcionário trabalhador, que não dá problemas no serviço, mas isto acontece quando ainda não está tão prejudicado física e psiquicamente pelo álcool ou outras drogas, precisando defender o seu emprego, embora a vida familiar não transcorra bem, como será visto mais adiante.

O empregador, cedo ou tarde, vai percebendo, com o passar do tempo, o problema daquele funcionário por várias vias: queixa de outros funcionários, chefias, supervisores, até de clientes, quando o dependente atende-lhe exalando álcool ou com postura alterada, principalmente se o setor for de atendimento ao público, enfim a situação foge do controle e decisões terão que ser tomadas.

A NEGAÇÃO DA FAMÍLIA

Podem-se comprovar através dos longos anos de trabalho com prevenção e tratamento de dependentes químicos, invariáveis perdas pelo dependente causadas pela doença: primeiro, da família e segundo, o emprego.

Em razão disso, a negação da família, no sentido de esconder o problema do dependente, pode acarretar problemas funcionais e financeiros à empresa. Pois esta é quem garante o sustento da família, até mesmo nos casos que tenha que pagar pensão. Esta dinâmica de negação familiar pode levar anos, que com medo e insegurança de que o marido seja mandado embora do emprego, a esposa chega ao desespero de até mentir, por exemplo: o marido falta ao trabalho, ela liga avisando que ele se encontra adoentado por intoxicação alimentar, estado gripal grave, inflamação dentária, entre outras, mas que na realidade não aconteceu nada disso.  O porre na noite anterior ou no final de semana foi à causa de sua falta ao serviço.

É neste momento que as negações do dependente, do empregador e da família tornam-se visíveis, mas separados de uma percepção global.  E este é o momento que a empresa deve abrir olhos para não adoecer com o funcionário “doente” e seus familiares, tudo ocasionado pelo problema da Dependência Química.  Por esta razão, o Programa de Prevenção ao Álcool e Outras Drogas, na empresa, é importante porque é uma tentativa de auxiliar o empregador a enfrentar este problema.

O QUE A EMPRESA IGNORA

Acima foram vistos as más repercussões, as negações familiares e empresariais diante do problema da dependência química.  Será abordado agora, o que a empresa ignora, embora hoje felizmente muitas já tenham programas sociais voltados para o problema e integrando as equipes de prevenção.

a) O dependente espera ansioso o término do expediente de trabalho para beber ou usar outros tipos de drogas, se bem que muitos fazem isto no trabalho, por não aguentarem muitas horas em abstinência, conforme for o seu grau de dependência.

b) São poucos os dependentes químicos que não se tornam violentos ou com outras alterações de condutas e comportamentos, dependendo da droga usada, tempo e grau de dependência.

c) Não imagina, por exemplo, um pai de família chegando a casa sob o efeito de álcool ou outras drogas, repetindo isto todos os dias, já há alguns anos, e que certamente, não é um quadro bom de ver, mas é sentido diariamente pela esposa e filhos que, assustados, não sabem o que fazer ou em que lugar recorrer.

d) Não percebe que sempre a família é mais visada, pois ali o dependente, involuntariamente, se torna “poderoso e agressivo”, devido à vulnerabilidade aos seus ataques e desabafos.
Embora o dependente sinta-se culpado no dia seguinte, haja vista que ele não queria ter feito o que fez, mas pelo estado em que se encontrava devido à dependência, não pode evitar: a sua crítica e percepção estavam comprometidas pela doença.

e) A vida na casa de um dependente de álcool ou outras drogas é norteada de crises, na qual o respeito cede lugar ao medo abrangendo todos os seus integrantes, pois os filhos sofrem sérios problemas psicológicos, não vão bem à escola, se auto discriminam e são discriminados por seus amigos.

f) Não há como avaliar os danos emocionais e materiais sofridos pela família do dependente químico. Para finalizar, o empregador ignora que ele também passa por problemas semelhantes com este funcionário, que pode trazer danos morais e/ou materiais à empresa, pois intoxicado, é capaz de provocar, por exemplo, acidente com veículo da empresa ou recepcionar mal um cliente, denegrindo a imagem da mesma.

No capítulo em que foi abordada a negação da família, observou-se a dificuldade da mesma em pedir ajuda especialmente ao empregador.  Igualmente quando ela vai à busca de outros recursos, o drama continua, pois à instituição especializada, em tratamento de dependência química, na qual peça ajuda, o médico, psicólogo ou psiquiatra certamente indicará o internamento como possibilidade de tratamento, se o caso for grave, ainda assim, a família - por medo, insegurança, culpa vergonha - resiste a esta orientação.

Por isso o dependente chega a um hospital ou em clínicas de serviços especializados com o estado de saúde já crítico, pelos motivos já expostos aqui.  Em função disso, é visto a grande importância de um programa de prevenção ao álcool e drogas nas empresas.

QUANDO A ÉTICA TEM QUE FUNCIONAR

Não importa a forma, mas o dependente químico precisa ser ajudado. Isto é ético.

Tem-se, por exemplo, uma pessoa que esteja se afogando em alto mar, um salva-vidas nada até a vítima, estuda a situação e chega à conclusão que o único jeito de trazê-la a terra firme será desacordando-a, com uma técnica especial que foi ensinada a este profissional, pois o afogando está se debatendo e impedindo a sua ação salvadora. Feito isto ele nada com a pessoa para a terra, salvando-a.

Existe um processo aético nisto?

Crê-se que não.
Então, deve-se usar o mesmo procedimento ao dependente em crise, porque neste momento ele está sem crítica e percepção do risco e perigo que corre todavia se não há ajuda tem-se aí uma atitude não ética.

Por isso, aconselha-se ao empregador que tome atitudes firmes com seus empregados com o problema, a fim de ajudá-los e encaminhá-los a um tratamento para mais tarde estes poderem lhes agradecer, como geralmente acontece.

O MOMENTO DE AJUDAR O DEPENDENTE QUÍMICO

Muito embora haja exceção, o dependente não procura ajuda espontaneamente.  Mesmo nas exceções pode ser uma conduta manipulatória, ele “aceita” se tratar, mas somente para agradar a empresa ou a família.

Há sinais, embora bastante imperceptíveis, pelo dependente em pedir ajuda, que podem ser reais, contudo, somente uma equipe bem treinada, na empresa, perceberá se estes sinais são verdadeiros ou manipulatórios, pois existe uma negação maciça do indivíduo em aceitar a sua dependência, quer seja do álcool ou de outras drogas, pela própria natureza da doença: o paciente não se sente doente.

Deve-se saber que a negação é um dos sintomas da dependência química e geralmente está muito crônica na pessoa, porém o pedido de socorro vem de algumas formas tais como: “só vou para um tratamento, morto”, “levem-me se forem capazes”, “quando eu sair eu sumo de casa”, entre outras. É óbvio que ele não está falando bem isto, mas por experiência do terapeuta que trabalha com prevenção e tratamento, o dependente está pedindo auxílio, indiretamente, e aí é a hora de ajudá-lo, realmente, quer seja na empresa ou na família.

O ÁLCOOL NO TRABALHO

O abuso de álcool está definido como sendo o padrão de beber acompanhado por uma ou mais das situações listados a seguir dentro de um período de 12 meses:

• Fracasso nas responsabilidades no trabalho, escola ou lar;

• Beber em situações fisicamente perigosas, como enquanto dirige ou opera máquinas;

• Ter problemas legais devido ao álcool, como ser preso ao dirigir alcoolizado ou por Ter causado lesões em alguém enquanto alcoolizado;

• Continuar a beber apesar de Ter problemas de relacionamento causados ou piorados pelo efeito do álcool.

O alcoolismo é considerado doença quando o permanente abuso de bebidas alcoólicas suscita dependência acompanhada de prejuízos biopsicossociais, detectáveis por métodos usuais de diagnóstico (SENAD-2000). Esta dependência pode manifestar-se pela perda da capacidade de controlar a quantidade de bebida ingerida. O alcoolismo é um dos problemas que mais atinge as empresas. De 5 a 10% da população brasileira são alcoólatras (REHFELDT 1989). É incontestável o grande número de prejuízos que o uso de bebidas alcoólicas traz quando feito no período de trabalho, o que tem gerado uma proliferação de políticas específicas de cada empresa endereçadas a esse problema.

Dentre os prejuízos encontram-se mais bem documentados o aumento do absenteísmo, a diminuição de produtividade, elevação da taxa de acidentes, elevada taxa de renovação do quadro de funcionários, prejuízo nas relações interpessoais e na imagem da empresa(GUIMARÃES e GRUBITS, 1999).

Se por um lado, as empresas têm avançado significativamente na otimização da jornada de trabalho, de modo que, mesmo reduzindo a jornada semanal, nas últimas décadas tem-se assistido a um aumento na produtividade, por outro lado, continuam lidando com o absenteísmo (GUIMARÃES e GRUBITS, 1999). Os prejuízos resultam da redução da produtividade decorrente das faltas, atraso em concluir tarefas e abandono do trabalho antes de completar a jornada. O abuso do álcool encontra-se entre os principais fatores responsáveis pela elevada taxa de absenteísmo (JELLENIK, 1947; THORPE e PERRY, 1959 – citado por GUIMARÃES E GRUBITS, Série Saúde Mental -1999), sendo estimado que os“bebedores- problemas” apresentam duas a oito vezes mais faltas que os seus controles(MORAWISKI e COLS, 1990, BROSO e COLS, 1992, COOK e COLS, 1996 – citado por GUIMARÃES E GRUBITS, Série Saúde Mental -1999).

Os acidentes de trabalho também engrossam as listas de prejuízos causados pelo alcoolismo nas empresas, segundo o relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) o álcool provocou 339 mil acidentes de trabalho no país em 2002. A legislação trabalhista considera acidente de trabalho desde o percurso de ida ao trabalho até o seu percurso de volta. Logo, ENEGEP 2004 ABEPRO 2479 XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov. de 2004 para as empresas, muitos acidentes de trânsito são, na verdade acidentes de trabalho. Neste caso específico, o estabelecimento de causa-efeito é bastante óbvio, já que o álcool é um depressor do Sistema Nervoso Central, com efeito, de sedação, redução da atenção e concentração, lentidão do pensamento e dos reflexos e dificuldade de coordenação motora, “síndrome” bastante propícia para predispor a acidentes. A depressão no SNC conduz a uma redução na eficiência e acurácia das tarefas em pessoas intoxicadas.

As substâncias psicoativas provocam alterações emocionais e de comportamento, sendo o álcool a mais difundida delas e de uso legalizado, é um importante fator que contribui para um prejuízo nas relações interpessoais e de trabalho. Dependendo do nível de álcool no sangue, pode desinibir, predispor à agressividade, à ansiedade ou à depressão. Um dos aspectos mais densa e detalhadamente documentado é o das consequências orgânicas e comportamentais; as principais características e manifestações das várias fases da evolução da doença, com principal destaque para o aspecto profissional, estão relacionados a seguir abordando os riscos provocados no trânsito com veículos conforme a porcentagem de álcool contida no sangue (MUELLER–WICHARDS, RUHBERG, Spata – Álcool na Empresa e no Local de Trabalho).

• 0,2% - Cai à capacidade de avaliação para fontes de luz em movimento. De noite não se consegue mais avaliar a distância de veículos que se aproximam em sentido contrário.

• 0,3% - Fica prejudicada a avaliação de profundidade de espaços. Isto provoca ultrapassagens arriscadas e reduzidas em relação a veículos na frente. A possibilidade de acidentes dobra.

• 0,6% - Objetos localizados parecem ao observador mais distante do que na realidade estão. Assim enxerga uma curva mais distante do que sua posição real. Entra possivelmente com velocidade excessiva na curva, erra o vértice e se perde. A sensibilidade da vista para a luz vermelha diminui a percepção de semáforos, locais de obra ou luminárias traseiras e de freios fica alterada. Torna-se difícil a rápida adaptação de luz alta para baixa.

• 1,0% - A capacidade de adaptação a repentinas diferenças de luminosidade é sensivelmente prejudicada. Reconhecem-se tarde demais pedestres, ciclistas, veículos estacionados ou objetos na pista – o campo de visão fica consideravelmente estreito.

Não se percebendo o que vem da direita ou da esquerda. A percepção e avaliação de profundidade do espaço bem como a atenção ficam reduzidas, escolhe-se tarde demais ou nunca. O tempo de reação fica mais prolongado, o percurso de frenagem mais longo.

• 1,3% - Neste ponto instala-se uma completa incapacidade para dirigir. O estado de desinibição alcança o auge.

• 1,7% - Ciclistas não são capazes de dirigir uma bicicleta.

• 2,5% a 3,0% - Instalam-se sinais de intoxicação. Estas alterações revelam-se na capacidade de percepção e reação, avaliação de si próprio e da realidade, a capacidade de resistência e confiabilidade, a indiferença e a passividade, prontidão de assumir riscos e agressividade no trabalho. O empregado embriagado é incapaz de efetuar um serviço ordenado e qualitativamente correto, cria situação de risco para si e para os outros. Sob condições normais, o corpo queima em media 0,1% de concentração de álcool no sangue por hora. Conseguir atingir estes índices é muito mais fácil do que queima-los depois. (REHFELD, 1989).

Os reflexos causados pelo abuso do álcool no trabalho têm motivado as empresas brasileiras a implantar “Programas de Prevenção e Recuperação”. A prevenção distingue-se entre: prevenção primária, secundaria e terciária, uma vez que a problemática, embora possa ser mais limitada em alguns aspectos, é a mesma. Apenas está localizada num universo mais limitado que, consequentemente, admite medidas mais, seletivas, mas, por isto mesmo, mais eficazes e promissoras.

A Prevenção Primária corresponde à introdução de medidas estruturais na empresa, com o objetivo da humanização do trabalho no sentido mais amplo. Algumas profilaxias utilizadas têm sido as da intimidação, da informação e do treinamento comportamental e estratégias de controle, estas ações antecipatórias visam diminuir a probabilidade do início ou do desenvolvimento de uma condição (REHFELDT-1989).

Existem, porém medidas que procuram fazer frente ao abuso de bebidas alcoólicas com a utilização de estruturas empresariais:

• Treinamento de grupos de auxilio e a constituição de grupos de ajuda.

• Treinamento de pessoas difusoras de ideias (líderes, supervisores e outros).

• Instituição de equipes de trabalho e de planos de ação com especifica tarefa prevencionista.(REHFELDT, 1989).

Um dos objetivos da Prevenção secundária é o estabelecimento de normas e procedimentos no tratamento individual do problema com os envolvidos. A preparação destas normas deve tanto obedecer aos princípios básicos da prevenção de dependência na empresa, garantindo uma melhor identificação com o programa. A meta global de todo o programa de prevenção e recuperação de alcoolismo é a interrupção definitiva do abuso do álcool e a obtenção da abstinência, a fim de preservar a saúde das pessoas envolvidas e garantir condições para um desempenho profissional normal.

A Prevenção Terciária consiste no complexo de ação que visam eliminar, ou pelo menos reduzir, as possíveis causas que possam redundar num retorno ao alcoolismo, ou o retorno a um aparentemente inofensivo beber “social”. A recuperação de um alcoolista jamais deve ser considerada como efetiva e completa no dia em que termina seu programa terapêutico ambulatorial. A reintegração do alcoolista na sociedade, principalmente no ambiente de trabalho, constitui um dos principais pressupostos para uma recuperação definitiva. Sua reabilitação social significa que reassumirá seus anteriores direitos e suas obrigações na sociedade, sem restrição, participando ativamente da vida social e se desenvolvendo levemente, de acordo com suas possibilidades.

É cada vez maior o número de empresas brasileiras e multinacionais que se sensibilizam com a gravidade e qualidade de vida dos funcionários, o estabelecimento de uma cultura capaz de enfrentar esta doença que é o alcoolismo.

Exemplo de empresas com o Programa de Prevenção:

As Empresas ESSO, SHELL, rejeitam fazer negócios com companhias que não tenham um plano de reabilitação e controle de drogas, seguidas pela American Airlines que condicionou a negociação de compra de aviões com a EMBRAER ao ajuste de seu programa de controle de substâncias proibidas aos padrões americanos. A EMBRATEL trabalha com Programa de Prevenção e Reabilitação e ostenta orgulhosa a marca de 82% de reabilitação de funcionários dependentes. Os empresários descobriram que cada dólar investido na empresa em programas de reabilitação provoca o retorno de sete dólares sob forma de aumento de produtividade, redução de absenteísmo, queda na procura pelo departamento médico e o incomensurável benefício de preservação da imagem da empresa. As indústrias deixam de ver a dependência às drogas sob o prisma da legislação do trabalho, para encará-los como doença social e oferecer este benefício de forma espontânea. (REVISTA VEJA-p. 32 – 2002).

A DEPENDÊNCIA FEMININA DE ÁLCOOL E DROGAS E SUA INFLUÊNCIA PROFISSIONAL

Quando falamos em dependência química normalmente pensamos em dependentes do sexo masculino, mas sabe-se que nas empresas existem mulheres que usam drogas e é um problema que deve ser encarado, pois as drogas e á dependência química não escolhem sexo, raça ou cor.

Estatísticas recentes apontam que de 6% a 8% das mulheres sofrem com a Dependência Química.
Geralmente a mulher paga um custo emocional muito grande pela sua dependência: sentimento de culpa, desvalorização, raiva, muitas sofreram de incesto.

Na infância, fazendo um acúmulo de violência e sofrimento.

No trabalho, os sintomas aparecem sob diversas formas: tentam estar bem maquiadas para esconderem as olheiras do porre da noite anterior, manipulam o chefe com posturas maternais, isso quase sempre de forma inconsciente, e sempre conseguem de forma muito natural.

São comuns as mulheres com o problema fazer uso de medicamentos que alteram o humor. Além de tudo, muitas sofrem da síndrome do ninho vazio, em função de perderem marido e filhos pela sua dependência de drogas.

Infelizmente a abertura pelas mulheres de assumirem a condição de dependentes química ainda é muito difícil, elas normalmente com medo de maiores retaliações por parte dos empregadores procuram disfarçar o máximo possível e como visto sempre conseguem uma desculpa relacionada á família para justificar: ausências, atrasos, faltas, e até mesmo justificar o seu comportamento.

Sendo assim somente mesmo uma pessoa mais bem preparada para de forma bastante aconchegante através de uma boa conversa conseguirá a abertura da dependente química para que de alguma forma o auxílio seja aceito.

É bastante importante que as empresas tenham a preocupação de manter um responsável pelo Programa de Prevenção ao uso de Álcool e Drogas, que demostre sempre a preocupação da empresa em ajudar o colaborador e não de acusar, culpar ou retalhar.

Vale lembrar que muitas mulheres são dependentes químicas não de bebidas alcoólicas ou drogas como: cocaína, maconha ou até mesmo crack, temos um grande número de mulheres dependentes de remédios como: calmantes, anti-depressivos, e inúmeros remédios sejam eles quais forem para as mais variadas doenças.

REFLEXOS DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA NO AMBIENTE DE TRABALHO

Este conteúdo possibilitará que empresários preocupados com a saúde de seus funcionários possam, enfim, colaborar de maneira efetiva no combate á “DEPENDÊNCIA QUÍMICA”. Além disso, promete atingir familiares e amigos de funcionários, pois o ambiente de trabalho é propício para o desenvolvimento e disseminação de práticas preventivas ao uso de drogas.
É no trabalho que o dependente químico passa a maior parte do dia, sendo assim nada mais justo que o auxílio parta também do empresário, visando a melhoria da qualidade de vida de seu empregado, bem como a garantia de maior sucesso com seu negócio.

Não é mais novidade para ninguém que a “DEPENDÊNCIA QUÍMICA” (termo genérico para o uso patológico de álcool e outras drogas), constitui hoje, um dos mais sérios problemas de ordem BIOPSICOSSOCIAL da humanidade.

Também já é notória que á “DEPENDÊNCIA QUÍMICA” não é apenas uma particularidade das classes mais baixas da sociedade, atingindo também e com grande incidência nas classes mais privilegiadas.

Estima-se hoje que 20% ou mais de uma população é portadora da “DEPENDÊNCIA QUÍMICA e o mais impressionante são os dados revelados pela ORGANIZAÇÃO MUNIDAL DE SAÚDE: 70 % das pessoas que fazem uso abusivo de bebidas alcoólicas e, 63 % das pessoas que fazem uso de drogas ESTÃO EMPREGADAS.

Tais números apresentados acima justificam as infinidades de problemas que as empresas vêm enfrentando com seus funcionários que fazem parte de um grupo de pessoas doentes que necessitam de ajuda na PREVENÇÃO, CONTROLE e TRATAMENTO da DEPENDÊNCIA QUÍMICA.

Abaixo apontamos alguns fatores bastantes negativos relacionados aos empregados que fazem uso de bebidas alcoólica e/ou drogas:
  • Risco de Acidentes de Trabalho: 5 Vezes mais;
  • Risco com acidentes de carro ou doméstico - 9 Vezes mais;
  • Chances de provocar acidentes de trabalhos envolvendo colegas - 3,6 Vezes mais
  • Atrasos - 3 Vezes mais;
  • Faltas – 3,5 Vezes mais;
  • Assistência Médica - 3 Vezes mais;
  • Demissões - 2,2 Vezes mais.

FONTE FISP – AMA/USA

DEMAIS PROBLEMAS RELACIONADOS Á DEPENDÊNCIA QUÍMICA NO AMBIENTE DE TRABALHO:
  • Baixa Qualidade de Trabalho;
  • Perda de Produtividade
  • Baixa motivação do empregado;
  • Perca de Materiais;
  • Danos em Equipamentos;
  • Atrasos;
  • Saídas em meio ao expediente;
  • Perdas de funcionários especializados;
  • Faltas justificadas e injustificadas;
  • Acidentes de Trabalhos;
  • Acidentes de Trabalho inclusive com morte do funcionário;
  • Acidentes de trânsito no exercer das funções;
  • Afastamento médico do funcionário por problemas de saúde causados pelo uso de álcool e/ou drogas;
  • Recepcionar mal á clientes denigrindo assim a imagem da empresa;
  • Problemas de Relacionamento com Colegas / Chefias / Fornecedores / Clientes;
  • Risco para a empresa de processos judiciais e indenizatórios;

Em alguns casos o funcionário rouba a empresa afim de ter dinheiro para comprar a substância que é dependente.

OBS: Quanto mais os empregadores desconhecerem o problema da dependência química, ou souberem meias verdades e irem para o lado do preconceito, quanto mais à empresa e seus administradores fecharem seus olhos para os trabalhadores, portadores desta doença, a droga irá ganhando terreno e o empresário continuará a desperdiçar dinheiro, tempo e recursos humanos deste país.

QUESTIONÁRIO PARA VERIFICAR SE EXISTE A DEPENDÊNCIA DO ÁLCOOL

Este é um conhecido questionário que pode através do seu resultado informar se a pessoa possui problemas ou não relacionados ao alcoolismo.

Caso o resultado detecte o alcoolismo, não fique nervoso, nem com raiva, apenas se preocupe em fazer algum tipo de tratamento de recuperação. O alcoolismo é uma doença, ninguém pediu pra ter, o indivíduo não é responsável por ela, porém, é responsável pelo seu tratamento.

Vale lembrar que quanto mais tarde um dependente químico inicia um tratamento de recuperação, mais difícil fica de se libertar da dependência.

Detecção do Alcoolismo pelo Método BRIEF-MAST

Consiste de 10 perguntas, com respostas "sim" ou "não", que recebem pontuação:

1 - Você se considera uma pessoa que bebe de modo normal? (Sim=0, Não=2)

2 - Seus amigos ou parentes acham que você bebe de modo normal? (Sim=0, Não=2)

3 - Você já foi a algum encontro dos Alcoólicos Anônimos (AA)? (Sim=5, Não=0)

4 - Você já perdeu amigos/amigas ou namorado/namorada por causa da bebida? (Sim=2, Não=0)

5 - Você já teve problemas no trabalho/emprego por causa da bebida? (Sim=2, Não=0)

6 - Você já abandonou suas obrigações, sua família ou seu trabalho por 2 ou mais dias em seguida por causa da bebida? (Sim=2, Não=0)

7 - Você já teve delirium tremens, tremores, ouviu vozes, viu coisas que não estavam lá depois de beber muito? (Sim=2, Não=0)

8 - Você já procurou algum tipo de ajuda por causa da bebida? (Sim=5, Não=0)

9 - Você já foi hospitalizado por causa da bebida? (Sim=5, Não=0)

10 - Você já esteve preso ou foi multado por dirigir embriagado? (Sim=2, Não=0)

Se a soma dos pontos for menor ou igual a 3 não há problema com bebidas alcoólicas, se for 4 é sugestiva de alcoolismo e se for igual ou maior que 5 indica alcoolismo.

Este questionário é conhecido como Brief-MAST (Teste de Detecção de Alcoolismo de Michigan, versão breve) desenvolvido por Pokorny e colaboradores (Pokorny AD; Miller BA; Kaplan HB. The Brief MAST: A shortened version of the Michigan Alcoholism Screening Test.American Journal of Psychiatry 129(3): 342-345, 1972).

O EMPRESÁRIO COLABORANDO COM O DEPENDENTE QUÍMICO

Os valores que a criança recebe da família já é uma forma preventiva ao uso de drogas, e é neste ambiente que este ser vai desenvolver a sua personalidade e estrutura emocional.  Por outro lado, é nela que começa a correr os primeiros riscos com o uso de analgésicos para uma dor de dente ou de cabeça, o xarope para a tosse e, às vezes, até o próprio pai que dá um golinho de cerveja ao seu filho.

Estes valores, porém, quando não são respeitados pela família e pela sociedade, poderão trazer-lhe desilusões na vida adulta.  Pois, ao longo do seu desenvolvimento físico e mental, se houver uma predisposição à dependência, não logrará progresso profissional e social, a menos que a ele seja oferecido ajuda para o seu problema.
Para que este cidadão tenha, no futuro, uma vida digna é fundamental que sejam respeitados os princípios éticos e morais, afastando-o do mal que lhe aflige que é a dependência do álcool e drogas ilícitas.  Desta forma, no exercício da sua profissão este cidadão, além de realizar-se como pessoa, dará conforto à sua família.
A empresa é o local de trabalho, o lugar sagrado deste profissional que teve sua história de vida. Por outro lado, ele é também um ser humano com boas qualidades, capaz de contribuir para o crescimento da empresa, porém pode ser alguém que esteja apresentando o problema da dependência.

Com louvor, o empregador pode ajudar o funcionário com este tipo de problema, geralmente via Serviço Social da empresa, que servirá de conselheira familiar daquela dinâmica difícil causada pela dependência química.  Numa última instância, a ajuda dar-se-á com o internamento do funcionário num serviço especializado. Então, certamente, este empregador que prestou socorro ao seu funcionário, doente, estará colaborando para que se trate e resgate valores que se perderam em função da doença ao longo do tempo.

Créditos:
Rogério Fernando Cozer
Coordenador no Programa de Prevenção de
Álcool e Drogas no trabalho

Celso Maçaneiro
Comissão de Prevenção ao Uso e Abuso do Álcool e Outras Drogas do Rotary Club
Curitiba Gralha Azul